Nas histórias infantis, a fada madrinha transforma uma simples abóbora em uma linda carruagem. Tudo parece perfeito, brilhante e encantador. Mas quando o relógio marca meia-noite, a mágica acaba e tudo volta à realidade. Na política, muitas vezes acontece algo parecido.
Em períodos eleitorais, surgem promessas grandiosas, obras anunciadas com entusiasmo, ruas pintadas, praças reformadas às pressas e discursos que vendem a ideia de uma cidade dos sonhos. Prefeitos, vereadores, deputados e governadores apresentam projetos como verdadeiros espetáculos de mágica, tentando convencer a população de que os problemas finalmente serão resolvidos.
Porém, basta chegar a primeira chuva forte para a realidade aparecer. Ruas recém-inauguradas apresentam buracos, encostas mostram sinais de risco, sistemas de drenagem não suportam o volume de água e comunidades inteiras voltam a enfrentar os mesmos transtornos de anos anteriores. O que parecia uma carruagem resistente revela-se uma simples abóbora maquiada pela propaganda.
A população não precisa de mágicos. Precisa de gestores. Enquanto o marketing político investe em imagens perfeitas e inaugurações festivas, muitos moradores continuam convivendo com problemas básicos que deveriam ter sido resolvidos com planejamento, fiscalização e responsabilidade no uso do dinheiro público.
A chuva não cria todos os problemas. Ela apenas revela aquilo que foi escondido debaixo do tapete.
Quando a água sobe, ela leva embora a maquiagem das obras mal executadas, das promessas vazias e da publicidade sem resultados. E, mais uma vez, a população percebe que a mágica terminou.
A grande pergunta é:
Até quando os eleitores vão aceitar trocar soluções reais por truques de ilusionismo político?
Jair Leal – DRT 009618/BA
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